Espaço destinado aos nãos necessários para a preservação da saúde mental e reestabelecimento da autoestima.

Não.

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Mais uma lista inútil de coisas sobre mim.

1 – Eu amo o mar. Amo olhar para o mar. Amo entrar nele e ter a sensação de abraço caloroso quando deixo ele me tocar.

2 – Eu quero ser mãe. Decidi isso de uns anos para cá e de tanto querer, eu quero que seja especial. Quero duas filhas, de preferência (Desculpa filho, se um dia você vier a existir, são só preferências).

3 – Tenho problemas sérios de insônia. Amo a noite, mas queria muito utilizá-la para dormir, como quase todo mundo.

4 – Costumo enjoar as redes sociais e depois voltar a utiliza-las e depois enjoar de novo e depois esquecer as senhas.

5 – Amo atuar. Decorar textos. Subir no palco. Sentir frio na barriga e querer tudo de novo, depois.

6 – quero cursar umas 20 faculdades. Não me imagino distante da universidade e distante de algo que me proporcione conhecimento constante.

7 – Tenho problemas com dinheiro. Uma impressão horrível de que ele dá azar.

8 – Sou viciada em filmes e séries. Geralmente eu assisto a mesma coisa umas três vezes (ou vinte).

9 – Sou mais de melhores amigas do que de grupos de amigos. Eu gosto dessa coisa de ter uma pessoa de cada vez e ouvi-la com atenção.

10 – Não sei me apaixonar. Eu sempre exagero nas proporções.

11 – Sou sincera demais. A ponto de ficar vulnerável com tanta sinceridade.

12 – Sou muito ariana. Até nas coisas que eu não queria ser.

13 – Sou ciumenta. Descobri isso um dia desses.

14 – Eu tenho medo de não dar tempo fazer tudo que eu tenho vontade. Sou adepta de listas de sonhos e elas são meio complexas.

15 – Eu tenho um caderno para monitorar as minhas obrigações diárias manualmente. Faço gráficos estáticos do que consegui dar conta.

16 – Eu amo comprar roupa e nunca consigo definir um estilo. Tem dias que eu sou super social, em outros, ando com roupa da sessão masculina.

17 – Não gosto muito de comer. Tenho inveja de quem enche um prato de comida e devora tudo.

18 – Yo amo la lengua Espanola. Quero fazer um cruzeiro pelo Caribe antes dos 30.

19 – Ganhei um violão aos 13 anos de idade e até hoje nunca aprendi nada além do Ré.

20 – Adoro fazer listas de coisas sobre mim quando o ano está perto de acabar.

21 – Já perdi horas preciosas pensando em como seria o meu funeral.

22 – Eu tenho medo de sapo. Muito medo de sapo. Agonia de tudo que envolva sapos.

23 – Eu falo sozinha. Dou risada sozinha. Choro sozinha. Sou bem independente com essa coisa de comunicação.

24 – Sou amiga de todos os meus exs namorados (que só são 3). Amiga mesmo, a ponto de dar conselhos românticos e consolar.

25 – Quase ninguém acredita, mas eu sou super romântica. Super romântica mesmo, daquelas que a galera enjoa, mas sente falta.

26 – depois do 06 de abril eu escrevo algo aqui no 26. Estou chegando nos 30.

Preciso limpar o espelho

Ele não gosta de você. Eu não julgo as suas insistências, nem o seu desespero momentâneo, é difícil mesmo lidar com alguém que não está pronto para gostar de você e mesmo assim finge estar. Mas preste atenção nos sinais que ele tem dado, preste atenção no quanto a sua presença tem tornado ele uma pessoa ausente. Você fala, ele balbucia. Você sente saudades, ele arruma compromissos. Você até tenta distância e ele só aproveita para caminhar cada vez mais para longe. Isso não faz de você uma pessoa difícil de ser amada. Isso não torna você uma pessoa menos bonita ou menos interessante. Você já viveu isso antes. Já se esquivou também. As pessoas só não gostam de ser amadas e a culpa não é da sua intensidade, é da forma como o amor foi apresentado para elas. Eu sugiro que você pare de chorar agora. Que você volte a prestar atenção nas coisas que antes te distraíam. Que retome as suas leituras, coloque as séries em dia, ouça as suas músicas preferidas. Se ausente de lugares que não a agradam e perceba o quanto você dá conta de ser feliz sozinha. Você não precisa fazer isso com a ansiedade pela volta dele. Aceite que talvez ele nem volte. Ele ainda vai arriscar algumas outras pessoas, talvez encontre alguém que se encaixe melhor do que você… E isso não deve ser assustador. Isso não deve te diminuir em absolutamente nada. Não preste atenção nas coisas que ele tem feito e nas coisas que não tem… Não tente se encaixar nas letras das músicas que ele posta, nem se entristeça ao perceber que elas não são para você. Prossiga nos seus sonhos, foque nas suas metas, dobre os objetivos, reavive as suas maiores motivações. Perca o medo de ir ao médico e botar aqueles exames em dia. Caminhe pelo prazer de caminhar. Aceite alguns convites, dispense outros. Cuide de você. Por cada segundo do dia, cuide de você. Experimente esquecer a existência dele por horas consecutivas. Vai esquecendo devagarinho, todo dia um pouquinho mais. Eu tenho certeza que não vai ser fácil, mas presta bastante atenção nas suas dores, nos seus medos, nas suas angústias, na dependência de algo que nunca lhe foi suficiente. Por favor, não desiste. Nem se ele falar agora, nem se ele vier com a mesma conversa de não estar pronto ou com a possibilidade de vocês se reencontrarem lá na frente. Não se diminua diante dos títulos de ninguém. Não desperdice os seus investimentos em você. Não desconsidere todos os esforços que você fez até agora para ser quem você é. Ele não tem o direito de te fazer pequena, você também não. É necessário estabelecer esse compromisso com você. Preste atenção em cada contorno, cada traço do seu rosto, cada experiência que você teve, todas as pessoas que você já conquistou. Preste atenção nos lugares que você tomou para você e volte a ocupa-los, não transforme a sua vida em uma longa espera. Não estacione agora. Tenta tudo, muda tudo de lugar, viaja, programe um roteiro, entre de cabeça em um novo projeto, gaste as suas energias com algo que lhe dê retorno. Desiste dele. Para de ouvir músicas e ver filmes pensando nele. Para de tentar chamar atenção de quem foi dormir sem te dar boa noite. Para de ser para ele, seja para você. Você merece muito mais da vida. Fuja das ideias e receitas prontas sobre substituições, você consegue fazer isso sozinha, estava fazendo quando ele chegou. Faça uma viagem de ônibus, passe a semana fora, vá ver o mar, retome tudo que fez de você alguém feliz um dia. É injusto com todo mundo colocar as suas chances de recuperação em mãos alheias. É um compromisso seu. Veja todos os filmes que estão em cartaz, coma bobagens, converse besteira, tome duas doses de tequila sem sofrimento, saia sem qualquer expectativa de encontrá-lo. Quer saber? Se for preciso, mude de cidade, desligue o telefone, deixa ele no lugar de paz dele. Não seja a pessoa insistente que incomoda. A vida sempre nos garante o retorno. E o retorno não tem a ver com vocês voltarem a se falar como antes, ou a voltarem a se ver duas vezes ao mês. O retorno é você se amando mais, cumprindo a sua lista de coisas a fazer e esquecendo que um dia ele existiu até esbarrar com ele e os planos dele na fila da farmácia, cumprimentá-lo e saber que é impossível ameaçar a sua felicidade de novo.

Tiro ao alvo

“Oi flor, tive alguns imprevistos, podemos adiar o nosso encontro para quinta-feira? Como estão as coisas?” “óbvio, está tudo bem”. Hoje faz duas semanas completas que eu adormeço quando o dia amanhece e acordo quando o sol se põe. Não é uma escolha consciente, mas é parte de uma fuga desesperada do que tem sido os meus dias. A sensação de inutilidade, a falta de vontade de responder qualquer pergunta comum no WhatsApp, as tentativas fracassadas de ir ao cinema e a vontade constante de morrer misturada ao medo de uma morte lenta, me deixam constantemente enjoada. Ela voltou. Voltou misturada ao meu excesso de tempo livre, a minha autoestima fracassada e aos vacilos constantes com qualquer tipo de relacionamento. Voltou e me impediu de ir malhar, treinar, fazer supermercado. Hoje ela ficou de cama comigo. Ontem também. Anteontem nós vimos filmes, séries e mais filmes. Nesse dias, mandamos pessoas importantes saírem da nossa vida e imploramos pelo retorno delas. Porque eu e ela nunca entramos em concenso. Eu sempre sei quando ela chega porque até os meus sonhos ficam sombrios. Eu tenho medo de tudo, pavor de um monte de coisa. Eu me anulo das redes sociais porque a minha transparência me deixa ainda mais ansiosa. É quase impossível lidar com tantos filtros ineficazes que tentam esconder a presença dela em mim. Eu leio todos os artigos absurdos da internet, faço e desfaço planos e sinto uma vontade imensa de ir embora de mim. Nada funciona, nada dá certo e os meus cabelos vão ficando pela cama. A vertigem me acordou agora e as dores que confundem o real e o irreal se alojaram por pontos estratégicos do meu corpo. Já ameacei cancelar todos os compromissos que preencheriam o meu dia e tenho 756 mensagens não lidas. Confesso que não sei o que fazer além de vir aqui e orar silenciosamente para que Deus não me abandone e não permita a minha desistência. Eu sei que mais cedo ou mais tarde ela vai acabar indo embora e eu vou me orgulhar de ter superado mais uma vez. Tem sido assim desde que ela me encontrou e resolveu fazer visitas surpresas. Ela as vezes me ensina umas coisas de forma cruel, nem eu sabia que era necessário doer tanto para me sentir gente grande. Sobre a consulta da quinta-feira? Deixa quinta-feira mesmo… Vira meta de sobrevivência.

Qual foi o dia mais importante da sua vida?

A gente sempre remete a importância da vida aos grandes acontecimentos, às grandes conquistas e ao fatídico dia em que algum dos nossos objetivos profissionais foi finalmente alcançado. Mas a gente esquece que, na verdade, o dia mais importante das nossas vidas é aquele que começa como um dia qualquer. Tem rotina, tem compromissos, tem cansaço e tem cheiro de amor na volta para casa. O dia mais importante das nossas vidas tem quem a gente ama ao lado. Tem conversa cotiana e almoço com gosto de fim de feira. O dia mais importante das nossas vidas pode até ter chuva de verão, um pouco de dor de cabeça e noite mal dormida. É o dia em que, sem esperar, o amor cruza a rua e aparece ali, bem na nossa frente, pedindo para ser para sempre. E a gente aceita. E começa ali uma sequências de melhores dias da vida. O melhor dia da nossa vida tem a gente tropeçando pelos brinquedos no meio da casa, ou nós dois limpando os móveis empoeirados e encontrando o anel que eu havia perdido embaixo do sofá. O melhor dia da vida é aquele em que a gente substitui a solidão por presença constante de quem se propõe a cuidar da gente e ser cuidado, ambos querendo sempre o melhor da vida. Porque a vida é um sopro. Passa tudo muito rápido e a gente não sabe mesmo quando vai ser a última vez. Não tem diploma, não tem prestígio, não tem plateia, não tem aplausos, não tem elogios, nem cobranças. O melhor dia da vida vem de dentro para fora, vai de fora para dentro e a gente não pode mesmo desperdiçar. Eu tinha uma vizinha que não sabia ler, não sabia escrever e por não saber dessas coisas gastava todo o tempo que tinha observando a vida e ela é uma das senhoras mais sábias que eu tive a sorte de conhecer. Cresci no terraço da casa dela, ouvindo ela falar sobre essas coisas que quase ninguém fala. “A felicidade não é constante. Ela é feita de momentos” ela dizia. Cautelosamente me explicava que essa busca por felicidade só fazia as pessoas perderem o que de fato significava ser feliz. Felicidade era fim de tarde sentada na calçada observando o sol se pôr e as pessoas voltarem para casa depois de um dia árduo de trabalho. Felicidade era ouvir a voz da minha mãe chamando na porta. Era o meu filme preferido ser reprisado na TV aberta. Felicidade era ganhar livros de história infantil comprados com o troco da feira. Era acordar e ver que todo mundo tinha acordado também. Estávamos vivas para mais um dia igual a todos os outros. Felicidade era dormir no chão e acordar na cama. Felicidade nunca teve a ver com dinheiro. O dia mais importante da vida tinha a minha vizinha lavando a louça no quintal e eu escutando ela falar sobre coisas que fazem de mim o que eu sou hoje. Sempre me senti sortuda por valorizar os fatos cotidianos e a presença de pessoas que nem sabem o valor que tem. o dia mais importante da vida as vezes nem dura o dia inteiro. As vezes nem tem a gente no final dele. As vezes é o dia em que a gente vai embora ou alguém que a gente ama vai e a nossa percepção de que o dia mais importante da vida não tem a ver com o que a vida faz da gente, mas com o que a gente faz dela nos torna tão mais sábios e tão mais cheios de gratidão pela oportunidade de estar aqui.

Bom dia.

Puxe o lençol e enrosque as suas pernas nas minhas. Deixe que as suas mãos me enlacem e me dê um daqueles beijos demorados cheios de saudade. Faça alguma coisa por nós. Venha a pé, chegue suado, ofegante e mesmo assim me obrigue a entender as suas palavras cheias de perdão. Salve a gente. Escreva uma carta, bote perfume, roube uma flor feita de um material qualquer do jarro da sala da sua mãe. Para de mentir, chega de desculpas sem sentido… seja verdade na sessão das 21h enquanto come a minha pipoca e se perde olhando o meu sorriso bem no meio do filme. Tira todas essas bobagens da minha cabeça e me traz um sorriso sorrateiro de quem sabe que não devia ter partido, nem ter me deixado sair da sua vida para sempre. Me promete que vai sentir saudade e que vai saber o que fazer para passar.

Cardápio

Hoje eu desfiz todas as minhas redes sociais. Talvez, daqui a pouco, eu venha me livrar disso aqui também e volte para os bons tempos de diários escritos a mão. A súbita necessidade de me livrar de toda a exposição que as redes sociais são capazes de sugerir, veio da minha percepção acerca do quanto as relações estão assemelhadas a menus de restaurante. Até imagino nomes bizarros para os sanduíches que estão servindo no banquete. “X-família feliz” “egg-corpo sarado na praia”, combo “te quero e te curto + refrigerante de laranja”. Não sei se é a crise dos 26, mas tem me deixado enojada imaginar que eu era parte disso e que as pessoas se aproximavam simplesmente pelo que eram capazes de ver nas redes. Eu era a menina “meio sarada” que praticava esportes, publicava fotos expositivas do próprio corpo e fazia postagens feministas sobre liberdade. A ideia pré concebida das pessoas as colocava diante de julgamentos e de expectativas que quase nunca eu fui capaz de responder. Era muito mais atormentador quando elas se davam conta da complexidade que é estar ao meu lado e estabelecer qualquer tipo de relação comigo. É muito mais complexo quando elas chegam aqui e se dão conta de que a minha alma nua não tem curvas pouco acentuadas de quem tenta dar conta de atividades físicas diariamente. Minha alma nua consegue ser tão feia quanto as cicatrizes que, estrategicamente, eu tentava dar conta de não mostrar nas fotografias. A minha relação com os clicks é muito mais do que encontrar boas angulações e fazer poses tortas que acentuam as minhas pernas e deixam a minha barriga chapada. Sou fotografa de lugares, de momentos, de sorrisos desapercebidos que não imploram curtidas, sou fotografa de sentimentos antes abstratos. Eu não sou o que mostram as redes. Preciso me libertar disso tudo para ganhar mais tempo, para me aproximar das pessoas sem pré julgamentos ou interesses limitados a fama. Preciso de mais tempo. Mais anonimato. E mais significado para tudo que eu faço. Preciso provar para mim, que o meu interesse com as atividades físicas é só o prazer que eu sinto ao realizá-las. Que se as pessoas se interessaram pela minha conversa, elas vão dar um jeito de conseguir o meu telefone e me ligar, e passar horas me ouvindo falar sobre coisas minimalistas. Eu não posso mais ser controlada pelo tanto que eu imagino que estou sendo observada, não preciso de mais um meio de comunicação que assegure e fortaleça as ideias de rejeição. Hoje, eu deletei todas as minhas redes sociais e, junto com elas, deletei muita gente que fazia parte das minhas interações diárias por meio de curtidas secas de quem não se ocupava a utilizar nenhuma palavra.